Gerador não é só kVA: como dimensionar corretamente o seu grupo gerador

Gerador não é só kVA: como dimensionar corretamente o seu grupo gerador


Muitas vezes recebemos contactos de clientes que já chegam com a capacidade do gerador definida e acreditam que a diferença entre as soluções estará apenas no preço dentro dessa faixa de potência.

É exatamente nesse momento que uma aquisição que deveria trazer segurança às operações da empresa começa a transformar-se num verdadeiro problema.

O erro mais comum é dimensionar o grupo gerador com base apenas na fatura de energia.

 

 

 


À primeira vista, essa lógica faz sentido, mas ao ignorar fatores técnicos críticos — como o fator de potência, os picos de arranque, a ordem de arranque das máquinas e a capacidade de resposta imediata do grupo gerador — abre-se espaço para um erro que pode custar muito caro a uma empresa que apenas queria continuar a operar caso a rede elétrica falhe.


🔧 Fator de potência

É comum assumir que, por uma instalação ser monofásica ou trifásica, o fator de potência será sempre 1.
Na prática, isso nem sempre acontece.

Quando o fator de potência não é corretamente considerado, a energia disponível não se converte integralmente em potência útil. Ou seja, o que é fornecido pelo gerador pode não ser suficiente para entregar o trabalho real exigido pela instalação.


⚙️ Picos de arranque

Podemos comparar um motor elétrico a um carro a subir uma ladeira: ele precisa de muito mais força para iniciar o movimento do que para se manter em andamento.

O mesmo acontece com vários equipamentos elétricos.
Durante poucos segundos, o pico de arranque pode atingir até 5 vezes o consumo nominal do equipamento, ou até mais, dependendo da aplicação e da conceção do sistema.

Se esse pico não for considerado no dimensionamento, o gerador pode falhar exatamente no momento do arranque.


🔌 Ordem de arranque

Ao dimensionar um gerador, é comum comparar a sua capacidade com a de um posto de transformação. No entanto, essa comparação é enganadora.

Um posto de transformação dispõe de grande capacidade de entrega imediata. Já um grupo eletrogéneo tem uma resposta mais gradual.
Se vários equipamentos arrancarem simultaneamente, todos com elevados picos de arranque, a capacidade inicial do grupo pode não ser suficiente, provocando paragens e, em alguns casos, impedindo novos arranques por descarga das baterias.


📊 Análise real de consumo

Como se pode perceber, dimensionar corretamente um grupo gerador não é uma tarefa simples.

Existem, no entanto, soluções eficazes, como análises de rede realizadas durante 24 horas ou mais, que permitem compreender os consumos reais, os picos, as variações sazonais e o comportamento da instalação ao longo do tempo — algo fundamental, por exemplo, em empresas de refrigeração com chillers, onde o arranque dos compressores varia conforme a necessidade térmica.


Na Rotarco, a nossa experiência é colocada à prova diariamente.
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